Eu danço quebrada, esfolada, moída, amarga, morna, absorta, calejada, e adjetivada de tantas outras formas.A música inaudível me toca a alma.Meus pulmões destilados findam toda o gelo que meus dedos, comprimidos pela arte, denotou em minha face. Eu caí, chorei, gritei e fitei a plateia não-existente por amar demais as coisas vãs. A retina dos olhos, a dor infligida, a sorte de continuar respirando quando deixo as lágrimas morrerem no palco. Palco? que palco? o palco é um jardim com cravos, um piano velho tocando, tocando, tocando enquanto danço. Eu danço?

Igor Pires, em “meu palco é feito de cravos, meus pés; de dor” (via conotar)

Igor Pires, meu palco é feito de cravos, meus pés; de dor. (via conotar)

26th May, SaturdayReblog

Eu engulo a seco e deterioro os meus sentimentos e fico explodindo por aí. No canto do quarto, no vagão do metrô, nos cadernos maltrapilhos jogados pela casa, em mim. Há uma angústia por ter nascido longe do mundo e da vida; eu sobrevivo numa roda-gigante, numa peça de teatro, junto às traças que roem o impercebível, junto às rosas que passam despercebidas por serem tão sutis e pueris, junto à lacuna que me rói, corrói e me treslê de um modo que ninguém o faz. Eu quebro a sequência correta, eu ignoro o caminho permitido, eu burlo as pessoas e roubo a dor para meu âmago e finco-a para que ela, ali, não morra como tudo mais. Tudo perde-se aqui. Tudo acaba. Tudo foge. Às vezes eu também fujo, também peco e também me deixo, mas logo volto atrás e me debruço e me enlaço e me pego no colo porque ninguém o faz. Se eu choro, choro sozinho, se eu corro, eu corro sozinho, se eu canto, eu canto sozinho, se eu faço, eu faço sozinho.É que tem horas que eu fico incompreendido, eu surto, eu pranteio, e fico me punindo. (…) é que eu, às vezes, me delato para ver se me encontram, para ver se me aninham, para ver se me cativam.

Igor Pires, em “das muitas vezes em que peguei no colo” (via conotar)


(Source: conotar)

26th May, SaturdayReblog

Estou cansado de ser vilipendiado, incompreendido e descartado. Quem diz que me entende nunca quis saber. E eu ouvi que Clarisse foi internada pra tomar soro, mas recusou-se e posou de forte (…) imóvel, não se mexe, não se move, não trabalha. E Clarisse está trancada no banheiro, e faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete, deitada no canto, seus tornozelos sangram, e a dor é menor do que parece. Quando ela se corta ela se esquece que é impossível ter da vida calma e força,o que ninguém entende, tentar ser forte a todo e cada amanhecer. Uma de suas amigas já se foi, quando mais uma ocorrência policial. Ninguém entende, e não olhe assim, com este semblante de bom-samaritano cumprindo o seu dever, como se fosse loucura, como se fosse diferente, ou inexistente. Nada existe pra ela, não tente, você não sabe e não entende. E quando os calmantes não fazem mais efeito, Clarisse sabe que a surtidez está presente, e sente a essência estranha do que é a morte, mas esse vazio ela conhece muito bem. De quando em quando é um novo tratamento, mas o mundo continua sempre o mesmo. O medo de voltar pra casa à noite, os homens que se esfregam nojentos no caminho de ida e volta da escola. A falta de esperança e o tormento de saber que nada é justo e pouco é certo, e que estamos destruindo o futuro, e que a maldade anda sempre aqui por perto. A violência e a injustiça que existe contra todas as meninas e mulheres, um mundo onde a verdade é o avesso e a alegria já não tem mais endereço. Clarisse está trancada no seu quarto com seus discos e seus livros, seu cansaço. E eu sou um pássaro, me trancam na gaiola e esperam que eu cante como antes. Ah, Clarisse só tem 14 anos…


Música Clarisse, de Renato Russo

Música : Clarisse, Renato Russo      (via conotar)

(Source: lagrimas-de-afrodite)

26th May, SaturdayReblog
Matou-se por querer viver.

A menina que roubava livros. (via prisioneiro-da-morte)

20th May, SundayReblog
Não sou violenta. Não sou maldosa. Sou um resultado.

A Menina que Roubava Livros   (via prefiro-atitudes)

(Source: trecho-de-livros)

18th May, FridayReblog

Vai andando - me respondeu equívoco. Olhei prescindida; mas notei certa particularidade em seu olhar. Eram olhos de quem via distante, olhos carregados e cheios de lágrimas.Pesados, sentidos e desnorteados.Olhos como o meu. Sentei ao meio fio e perguntei-lhe: tu sabes? Disse que sabia muito bem e o melhor que a gente podia fazer numa hora dessas era andar. Andar pra onde? Andar sem gps, sem objetivo ou dinheiro? E quando parar? Só me disse aparente calmo: não se preocupe, a gente vai seguindo sem saber pra onde vai ou o que a gente tem que fazer. A gente espera um fim, e enquanto não chega, a gente vai andando assim, de cabeça baixa, triste e cansado, questionando se alguma coisa fez sentido. Tudo foi largado, abandonado e perdido. Anda por alí que eu ando por aqui, a gente ta sozinho e nao podemos nos dar o luxo de ter companhia por alguns instantes. Eu que, apegada demais ja fora, apredi a lição. Entao, até nunca mais, e boa sorte na estrada. - Assim partiu. 

18th May, FridayReblog